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13/07/2010

Só circulação

O que é ter a vida toda pela frente?
Meus dias já não são guerras políticas
Que motivam a alma a existir no fingimento
Que alimenta o fogo da mentira, certas horas aconchegante - avante
Um dia alguém disse que a vida é muito longa para os solitários

Os programas da televisão sempre a brincarem de vida
Intermináveis com dom alucinógeno para os trabalhadores
As casas são construídas numa infinitude aterrorizante

Mal sabe a maioria que os homens perdidos fizeram algo de muito errado
E engoliram a sensiblidade tão inquestionável
Que antes fazia o homem ver um pássaro
E ser humano em simbiose sem tempo e pesquisa - e o pássaro ser bicho
Sem indústria, sem estabelecimento
E isso era vida - e era silêncio primogênito de Deus

Eu nunca fui beijado pela gênesis
Mas sei que o cérebro do homem está comprimido em cipó
E engalanados, eles festejam na festa que começa pelo fim
E não termina

Agora e para sempre ocupo espaço calculado, quebradiço
Imóvel a correr como em sonho
Letal no fim das contas - sempre no fim
E finjo ser eu
Meu corpo é alvo de chaves de fenda
Rainhas mudas e burras (logo, terrivelmente prepotentes)
Não retrocedo, nem avanço
Nesse meu corpo cheio de buracos pretos fedido a ferro com sangue
Cuja fala imponente foi calada pela rotina.


Gian Luca

2 comentários:

Karla Hack disse...

Primeiro... Adorei seu espaço aqui!
Tudo me agradou. Étimas referências!
Quanto ao post... Achei o poema bem íntimo e cru... Causa sentir!
;D

Wander Shirukaya disse...

Meu amigo, pq o calote em mjim? Q t fiz de mal?? :(