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08/07/2010

Os 10 melhores finais do cinema



Nem preciso dizer que contém spoilers, né?


Geralmente um cinéfilo que se preze não se liga muito para o final de filmes. Pelo menos ele não vai deixar de assistir um se alguém contar como termina. Quem realmente admira a arte cinematográfica, gosta de apreciar os detalhes do desenrolar, as atuações, a direção, a trilha sonora, a fotografia, a montagem. Eu diria até que é falta de maturidade se chatear ao ouvir o final de um filme não visto ou deixar de vê-lo só porque agora 'eu sei como termina'. É claro que existem exceções que realmente tiram parte da graça da película, como em O Sexto Sentido (cuja construção da tensão é magnífica) e Os Outros, mas ainda assim não é motivo de deixar de vê-los.


Vamos então aos filmes que eu considero obras-de-arte na sua completude, mas os finais foram muito marcantes, logo, merecem ser comentados.


Obs: Algumas imagens não correspondem ao final do filme.


10) Antes do Pôr-do-Sol (2004)



Um final descontraído para um filme descontraído. Após 9 anos, quanto tiveram um encontro que parecia ter futuro (no filme Antes do Amanhecer), Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) se reencontram casualmente em Paris, batem papo, e só. Trocam idéias, contam sobre suas vidas, relembram acontecimentos, esclarecem mal-entendidos e riem, tudo feito em 'tempo real', ou seja, o tempo do filme equivale ao tempo do encontro. No final, os dois estão na casa de Celine, a mesma coloca uma música e se aproxima de Jesse, dançando suavemente com os olhos fechados. Nenhum laço amoroso é criado.


9) Casablanca (1942)




O final de um dos maiores filmes românticos de todos os tempos é recheado de frases célebres, a maior pronunciada por Rick (Humphrey Bogart) para o Capitão Renault (Claude Rains) ao se despedir de sua amada Ilsa (Ingrid Bergman): Acho que esse é o começo de uma grande amizade. Seria Rick se tornando gay, como dizem as más-línguas? Que nada. É apenas Bogart/Rick usando todo o seu pragmatismo para suavizar um final triste.



8) O Mágico de Oz (1939)



Outro filme cujo final possui uma das frases mais repetidas pelos fãs: Não há lugar como o nosso lar. Dorothy (Judy Garland) acorda do seu sonho (seria sonho mesmo?) e se vê rodeado pela sua família, cujo valor ela percebe ser inestimável. O close final no rosto de Garland é para ficar na cabeça para sempre.



7) A Malvada (1950)



Sem dúvidas, o final de A Malvada colocado em um filme de alta qualidade nos dias atuais arruinaria a obra. O final é bem canastrão, no melhor estilo 'feitiço contra o feiticeiro'. A atriz Eve Harrington (Anne Baxter), após ganhar um prêmio depois de passar por cima de tudo e de todos, recebe em seu apartamento uma novata no ramo, que se mostra (nada sutilmente) tão voraz pelo sucesso quanto a 'malvada'. É óbvio que Eve irá passar por mal bocados com essa nova amiga, como aconteceu com Margo Channing (Bette Davis) ao abrigar Eve em seu apartamento inocentemente. Mas se o final é assim, porque entrou na lista? Pode parecer contraditório, mas é um dos finais que mais me marcou (talvez por ser um dos meus filmes preferidos) e que tem o mérito de não destruir tudo o que foi construído anterior à ele, que é uma obra nada menos que genial e sofisticada.



6) Onde os Fracos Não Tem Vez (2007)




Os irmãos Coen são o supra sumo do cinema atual. Nas obras mais sérias, eles sempre acertam. Em Onde os Fracos Não Tem Vez eles acertaram tanto que levaram os Oscar de Melhor Filme e Direção. A genialidade reside no fato que a obra não acaba, ela pára, assim como a vida. No final, presenciamos quase um testemunho do personagem de Tommy Lee Jones ao falar sobre um sonho que teve com seu pai, e depois de certos acontecimento nesse sonho, ele acorda. Simples assim.



5) A Doce Vida (1960)




Um final vazio para um filme vazio, no melhor sentido da palavra. Fellini explora a falta de emoção e de perspectiva da classe média/alta italiana pelos olhos do fotógrafo Marcello, interpretado pelo seu alter-ego Marcello Mastroainni. No final, após uma festa burguesa, Marcello acompanha os jovens pela praia e se pega rodeando, junto com os outros, um polvo encalhado na praia. Tão encalhado quanto a sociedade em que o fotógrafo está inserido.



4) Dançando no Escuro (2000)




A obra-prima de Lars Von Trier é uma obra tristíssima, daquelas que te arracam um pedaço. E o final não poderia ser menos amargo. Selma, a personagem encarnada por uma das maiores cantoras de todos os tempos, Bjork, é injustamente acusada de homicídio e a sentença é pena de morte. Na sequência final, Selma caminha pelo corredor da morte rumo ao enforcamento cantarolando My favorite Things, canção do musical A Noviça Rebelde. Apenas ao escrever sobre esse final, já tremo nas bases e fico todo arrepiado.




3) Tempos Modernos (1936)



Um final cuja última imagem permanece na mente de quem vê, imagem essa que poderia ser um belíssimo quadro dos tempos modernos. O vagabundo (Charles Chaplin, é claro), junto com sua namorada Gamin (Paulette Goddard), caminham em busca de um rumo nessa sociedade maluca que surgiria nas primeiras décadas do século XX. Entretanto, por mais insano que seja o mundo, o amor coroa todas as dificuldades, e a imagem final ilustra com perfeição o poder do ser humano sobre as máquinas.



2) Luzes da Cidade (1931)



Outra vez temos Chaplin, e outra vez temos um final cuja imagem fica na cabeça, e que também poderia ser uma pintura. O sorriso de Chaplin ao ser reconhecido pela sua amada (interpretada por Virginia Cherrill), após recuperar a visão, é quase inacreditável. Provavelmente a imagem é tão marcante devido a genialidade do mestre em transitar entre a tristeza e a alegria com tanta facilidade.



1) Crepúsculo dos Deuses (1950)



Um final aloprado para um filme aloprado. Norma Desmond (Gloria Swanson), completamente louca descendo as escadarias de sua mansão e ansiando por um close-up é o que se pode chamar de poderio total do cinema. A obra de Billy Wilder mostra a decadência emocional de uma atriz esquecida pela sociedade. Quando esta percebe que não tem mais chance no mercado, nem através do roteirista por quem se apaixona, Joe Gillis (William Holden), Norma o mata. E para ser levada para o manicômio, seu criado e ex-marido Max (Erich Von Stroheim) a ilude dizendo que ela precisa descer para gravar a cena de um filme. Assim, Norma obedece e pede um close-up, algo que nunca mais terá. O final tem a frase mais marcante de todos os tempos e o discurso final da atriz , também uma forma de criticar o cinema, é muito marcante.





5 comentários:

M. disse...

Hoje eu vou ficar com os filmes antigos! É que me bateu um saudosismo danado! Então... "O mágico de Oz", "Luzes da cidade" e "Tempos Modernos".

Emmanuela disse...

Ótima postagem! É sempre válido celebrar grandes finais que abalam os espectadores.

Alan Raspante disse...

Ótimo post gian!
gosto muito dos de A MALVADA, TEMPOS MODERNOS e CASABLANCA!!

ChibiQuimera disse...

eu quase chorei lembrando de alguns finais agora
post maravilhoso!
concordo com o inicio, as vezes beira a imaturidade não querer saber o final do filme, apesar de eu nunca ter parado para pensar nisso.

Priscilla Valdragon
http://chibiquimera.blogspot.com/

RoDolFo disse...

Top Impecável...Belíssimo....Adorei ver Dançando no Escuro....

Os meus finais preferidos são 2001, A Felicidade Não se compra e Os Incompreendidos e tantos outros...rrsrsr