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17/08/2010

A Morte Quente (ou A Vida)

Mãos pouco habilidosas
Só que sinceras
Em volta do pescoço mítico do Cavalo
Homem branco

Mãos vivas - o bebê de gesso afogado no móbile
Restantes - inteiras como alma na cabeça infantil
Ossaria - uma guerra
Oblíqua à chuva
Solitária

(As chuvas que caem no cemitério são tão diferentes das chuvas que caem no mundo)

Mãos febris - saudáveis
Únicas bocas rubras que se acham
Fulgazes
Mistura com o morango recém-comido

Invólucro tirânico
Titânico

O casco faz o seu trabalho
Pata gelada na grama terrivelmente úmida
Galope, galope, galope
E os olhos

Eu cato o vento por momentos
Inúteis
Ele é Deus

Meu passado perfeito
Já não tem mais nada a ver comigo
Depois do triunfo que ninguém ouviu
Ele me fez velha caquética
Desprendendo-se
Do pêlo

Eu sou muita carne
Dispersa como a Bíblia
Lúcida

O futuro é
Galope, galope, galope
No gelo

Ferro do inferno
Cavalo ideal.


Gian Luca


Poema inspirado no poema Ariel, de Sylvia Plath.

1 comentários:

Kah disse...

Fico pensando qual será a sensação da morte... Acho que maioria das pessoas não têm medo de morrer, ela têm medo de sentir dor. Não é verdade?