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09/08/2010

A gente

A gente nasce
E não nasce mais

A gente morre
E não morre mais

Do pouco que sei
Só sei de mim

E mesmo assim
Não tenho certeza de mim

Só nasci e sou indizível
Tenho certeza

Acho que mais sinto - em plenitude -
Do que sei

Tenho apenas lapsos infrutíferos
Dos outros
E de tudo que não está
Atolado no meu corpo

Mas também dentro dele
É impenetrável
Sinto a batida do coração
E uns barulhos no estômago
E algumas outras coisas

Dor passageira que volta
E felicidade passageira

Será que volta?

Ócio conturbado
Carros, tantos
Tanta felicidade!

É isso que me deram
Eu não pedi nada
Mas agora eu quero tudo

Injusta prisão!
Perfeita e misteriosa
Quebrável a qualquer instante
Parrudo de olhos vendados
Por um véu natural
e frouxo

Porém,
Amarrado com a destreza de uma raposa
Que em sua totalidade de deusa
Engana o homem

Ninguém nunca vai ser uma raposa

Nem consigo ver se há uma alma aqui dentro
Para acalmar os dias
Que já foram e são

Impressões gregas
Ninhos quentes invisíveis
À mente, sempre ela

A gente nasce guerreiro
Eles dizem - completos -

Eles só
não dizem

Que os inimigos
Estão na porta do hospital
Esperando
Para nos receber
Carregando flores
Ainda sem espinho

Mas louco para brotar
E reinar no despotismo
Posto
Aceito

Eles não dizem
Que as armas e a armadura
Estão pelo caminho - escondidas-

Talvez nunca serão achadas
Talvez só algumas serão
Para defender certas partes

Essas que são o eterno agarrar-se
Ao último suspiro, à faísca-serpente
À ordem dos homens
E ao Jesus nas tripas

Ao feixe de luz do vagalume
Outro deus

Outras partes serão perdidas
Ou nunca ascendidas
Nunca sabidas
Nunca sentidas

Talvez imaginadas

Nesse meu único caminho
Iluminado até o fim.


Gian Luca

2 comentários:

Roderick Verden disse...

"A gente só nasce uma vez". "A gente só morre uma vez". Acredito q sim, mas certas pessoas adeptas de religiões como Espiritismo, budismo e hinduísmo proclamam q nascemos e morremos diversas vezes.
Muito bem escrito o texto.
Tudo de bom!

Kenia Cris disse...

Minha parte favorita é:

"Do pouco que sei
Só sei de mim

E mesmo assim
Não tenho certeza de mim..."


Mas gostei imensamente do poema inteiro.


Beijo Gian!