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25/10/2010

Vídeo da Exposição Vaga-Lumes




Vídeo feito pelo fotógrafo Ald Júnior que mostra um pouco da exposição Vaga-Lumes que aconteceu no dia 23/10/10. O vídeo traz fotos e depoimentos sobre a exposição.


O poema abaixo é o primeiro dos três que compõe o trabalho fotográfico/poético:


Um questionamento



Ele tem uma habilidade imprestável

Invejável? Talvez -

Ele sabe se isolar muito bem

Poucos seres humanos têm a coragem


Eu não vou dizer que ele não sofre

Eu não vou dizer que é apenas um processo

Eu não vou dizer que é para sempre

Ele se isola – E pensa, pensa, pensa


Eu acho que na rua, em casa, no trabalho, com os amigos

Ele se veste muito bem de ser humano

Faz parecer real, faz parecer mágico

E as pessoas o suportam com certo interesse


Mas eu acho que ele não quer ser apenas suportável

Ele tem uma meta falsa a cumprir

Aquela meta que as pessoas matam no berço

Ele a deixou escapar – O acaso é um puto, às vezes


O quarto é mais que um quarto

Só ele sabe – Só ele sabe muita coisa

Metafísica, Deus, pessoas, futuro

Não, ele não sabe sobre isso. Não


Ele se vestiu como um artista de cinema

Ou como um tolo

Uma espécie de desejo infantil

Acho que todo gênio é infantil


Eu acho mesmo é que ele se cansou lá de fora

Ele se cansou de engolir faróis, gente, responsabilidades

A boca pequena engasgando radiação

Um câncer de nascença e uma família para curar


Expelido como deuses num mundo velho

Sem poesia, sem desejos, sem sexo, sem destruição

Apenas passageiros balançando moles como bebês

E ele duro e selvagem como uma imagem


O quarto não é uma saída

O quarto também faz parte daquele mundo

Pequeno mundo, não-mundo, real mundo

Aos poucos caindo nas garras pretas do nada


Como o nada o persegue! Um abutre estufado!

Vestido de mentiras, de crianças, de justos, de mães

O seu único apoio sincero um guarda-chuva

Mudo e confiante como uma viúva


O telefone naquele recipiente de certezas

Estava pela metade (tudo está pela metade)

Ele tinha comido os fios – os cordões umbilicais

Revirando no seu ventre como um futuro infectado

Que o deixou estéril como uma estátua


Como a vida não foi o que ele queria!

Vida? Que vida?

Como ele queria que a vida tivesse sido?

Tudo, menos aquilo que é – Ou aquilo que seria provavelmente


Com esperança, sem esperança

A espera é a mesma

Os homens estão condenados a esperar

Amanhecer, anoitecer, morrer, o sol

Santo ou Chaplin – Naquele quarto é tudo a mesma coisa


Na verdade tudo é a mesma coisa a todo o tempo

As mesmas doenças, as mesmas decepções, os mesmos empregos

As mesmas desilusões, os mesmos sonhos, as mesmas percepções

Vamos encarar: o mundo é um saco de anjos


E ele, real demais, demais!

O problema dele sempre foi ser real demais

O mundo não suporta pessoas reais

As pessoas reais não suportam as pessoas reais


Ele é, ele é – Um grande deus

Uma máquina perfeita de ossos e brancura

Estendendo-se sem avidez e apático como um tapete

Como um homem de sucesso

Só eterno e insuportável.


Gian Luca.

3 comentários:

Rengaw disse...

Adorei o q está escrito. Escrevo em verso, se quiser ler... http://pensadoenaodito.blogspot.com/

Victor Pagani disse...

Interessante, foi bem legal a exposição :D

[]'s

Pedrasnuas disse...

ENTÃO O MODELO ÉS TU?! CONHECI O GIAN...FINALMENTE,ESTAVA CUIROSA PARA "CASAR" CARA E POEMAS...É ESTRANHO TU ÉS UM MIÚDO...ÉS MUITO EXPRESSIVO...GOSTEI BASTANTE...
O POEMA É PESADO...E FICO COM A IDEIA QUE ÉS MUITO NOVINHO E MUITO AMARGURADO... ESTAREI ENGANADA?

SAUDADES MINHAS TAMBÉM