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30/09/2013

O Projeto Secreto de Madonna


As impressões que eu tive após ver o Secret Project foram muitas. Vou tentar resumir algumas delas.

Madonna está realmente engajada outra vez, mas agora ela elevou seu engajamento social a um nível mundial, numa espécie de 'evolução' da era American Life. Naquela época, Madonna se preocupava especialmente com o que estava acontecendo nos EUA, agora os seus trabalhos (tanto a turnê quanto quando o projeto) são reflexos dos acontecimentos mais graves que estão acontecendo no planeta. É de se admirar a fluidez e o impacto do curta-metragem. O texto recitado por ela é claro e sem pieguices, embalados por uma voz quase rouca e aparentemente serena de quem sabe o que está falando e sabe o que quer. As imagens também fluem, com uma boa edição, bela fotografia e com uma trilha sonora tímida, bonita e inquietante (o hino nacional e a melodia usada em Like a Virgin na MDNA foram opções acertadíssimas, além de trechos de discursos políticos, áudios da turnê, sons de violência, pássaros e outros a serem percebidos). Eu também destaco a sequência de balé e o ambiente decadente em que ela passeia com suas 'vítimas'. O uso de apetrechos e figurinos da turnê também se destaca, é um jeito de Madonna mostrar o quanto se preocupa em ser coerente com suas escolhas artísticas e de dar certa continuação aos seus trabalhos. É um trabalho para ser assistido várias vezes e assim perceber detalhes perdidos.

"Liberdade é aquilo que você faz com o que fizeram com você."

 Quem mais se identifica com essa frase do Sartre?

 
 
Veja abaixo o vídeo completo do projeto com legendas:



29/05/2011

Culpe as garotas!


Mika, um cantor nascido no Líbano e com apenas dois álbuns lançados, já é uma figura de respeito no cenário pop musical. Com sua voz estilizada que todos insistem (e com razão) de comparar com a de Freddy Mercury, o artista também é conhecido pelas suas letras espirituosas e sarcásticas, algumas delas como pano de fundo para videoclipes, senão originais, ao mínimo interessantes. É o caso do videoclipe ‘Blame It On The Girls’, lançado em 2010, dirigido por Nez Khammal (que já tabalhou com M.I.A., Kanye West e Lily Allen, entre outros). O trabalho é um compacto que traduz, por meio de referências gritantes ao filme 'Laranja Mecânica' e ao videoclipe ‘Let Forever Be’ do Chemical Brothers, um universo misógino e rebelde, nada menos parecido do que a película em que o videoclipe se baseia.

Para não dizer que estou exagerando, ‘Blame It On The Girls’ já se inicia com um trecho de uma fala do protagonista da obra de Stanley Kubrick, o anárquico Alex, dublado sem pudores por Mika, que usa uma vestimenta que lembra vagamente a de Alex, se não fosse pelo rosa pálido no chapéu (e no colete) ao invés do preto básico. Interessante o uso do sampler que Mika produz: ao invés de samplear alguma melodia para criar um novo significado (como Madonna fez em ‘Hung Up’, por exemplo), a escolha de samplear um trecho de uma fala cria não somente um novo significado, mas também uma espécie de continuidade do filme, como se mais daquela obra pudesse ser dito por alguém influenciado por ela, logicamente em um contexto bem diferente, mas não de todo. Segundo Marcus Bastos, em seu texto ‘A Cultura da Reciclagem’, ‘o funcionamento do sampler sinaliza para a possibilidade de explorar a reutilização de materiais como técnica para produzir textos, imagens e música, e pode ser associado às diversas formas de colagem’. Obviamente aqui estamos falando de música e imagens, e a colagem (nesse caso, o trecho da fala) feita no videoclipe não é repetida em nenhum outro momento na música, diferente do que é feito, por exemplo, na música ‘Like Toy Soldiers’, de Eminem, em que o feito de repetir o refrão de ‘Toy Soldier’ de Martika cria um processo cíclico na música (a mesma coisa acontece em ‘Hung Up’). Já com Mika, o sampler (não sendo uma melodia) é apenas um ponto de partida para que outra história seja contada com base em vários elementos de Laranja Mecânica.

E que história é essa? Na música, Mika nos conta sobre um homem que tem tudo para ser bem sucedido na vida, mas que em vez disso, desperdiça sua vida com bebidas e noitadas. E de quem é a culpa? Segundo Mika, culpar as garotas (sempre tão certas de si), os garotos (grandes praticantes de bullying), a mãe (que só fala besteira) e o pai (mas (in)felizmente, esse já está morto), é a melhor forma de se desculpar pelo fracasso.



Para traduzir a letra, o cantor personifica um Alex pudico, de fato. Ele não ataca nenhuma mulher com um pênis gigante de gesso cantando ‘Singing In The Rain’ e muito menos agride mendigos na rua. O videoclipe inteiro se passa dentro de apenas um cenário, mas que vai se abrindo ao longo da projeção, seja por paredes falsas que são retiradas ou pela própria extensão do espaço que vai sendo descoberto pela câmera (em travelling) na medida em que Mika passeia por ele, criando sempre uma nova expectativa para o telespectador. O cenário, aliás, é notável, toda a primeira seqüência de Laranja Mecânica está lá: os espelhos angulares, os sofás com os manequins prateados, gavetas para arquivos, refletores e ventiladores, além de alguns figurantes em pose estática, que refletem bem um mundo introspectivo e de decepções. A referência certeira e divertida ao clipe supracitado do Chemical Brothers se dá quando várias mulheres (que na verdade são apenas uma) saem detrás das paredes falsas vestidas metade-homem e metade-mulher, numa espécie de vestido de cartolina laranja. Se no clipe do Chemical Brothers, a mulher ‘múltipla’ representa o status quo da mulher independente e sonhadora, que ocupa vários lugares ao mesmo tempo como forma de poder, no clipe de Mika, a mulher representa um papel secundário, desprezado por esse 'Alex', reforçando o caráter misógino e de isolamento do videoclipe, até mesmo criando um universo andrógino, que com certeza dialoga com o clipe em si e com boa parte do público do cantor. É um cenário colorido, e muito, porém um segundo olhar nos traz a tona como essas cores são sem vida, pálidas, apáticas mesmo. Na verdade tudo é uma ironia. A letra da música se encaixaria perfeitamente dentro de uma balada melosa, triste, mas ao invés disso, Mika compõe um pop agitado, sacana, uma verdadeira zombaria do homem em crise. E a dúvida que se segue devido às cores (estamos em um cenário alegre ou triste?) somente reforça esse aspecto sagaz, irônico e contraditório. Não podemos nem afirmar que o piano rosa e as danças de Mika são mensagens explicitamente gay, pois tudo é posto em xeque para que o expectador faça a sua interpretação.



Nas três categorias que Arlindo Machado cita em seu livro ‘A Televisão Levada a Sério’, provavelmente ‘Blame It On The Girls’ se encaixa na segunda categoria, em que Machado diz que o videoclipe ‘aliado a compositores e intérpretes mais ousados, logrou transformar esse formato de televisão num campo vasto e aberto para a reinvenção do audiovisual’. É claro que vários clipes nesse formato de releitura de obras de cinema e ou literatura já foram realizados, é um tipo de trabalho longe de ser algo original, afinal, como se esquecer dos clássicos ‘Material Girl’ de Madonna e ‘Tonight Tonight’ do Smashing Pumpkins, e também dos mais recentes ‘Wind It Up’ de Gwen Stefani e ‘What Are You Waiting For?’ da mesma intérprete?. Entretanto, em um tempo em que o videoclipe sofre de falta de conceitos inteligentes, especialmente de artistas que estão dentro do grande circuito do pop/rock, um clipe que constrói uma cuidadosa significação entre a letra e o que nos é apresentado na tela com certeza é motivo de celebração.

Se formos pensar na ainda recente carreira de Mika, o artista continua surpreendo com seus trabalhos ao mesmo tempo ousados e comportados, que não passam de jeito nenhum perto de qualquer tipo de censura. É o cantor ‘bonzinho’ que precisa sempre de um segundo (ou até terceiro) olhar para que sua mensagem sardônica seja entendida. O uso do sampler já tinha sido feita por ele na música ‘Grace Kelly’, um de seus maiores hits. Na música, Mika também retira um trecho de fala de um clássico (dessa vez ‘Amar É Sofrer’ e a fala é de ninguém menos que da própria Grace Kelly) para compor uma canção em que também há um homem em crise querendo/tentando ser vários ‘alguéns’ para atrair sua amada, nem que para isso ele precise ser a princesa de Mônaco.

O público de Mika parece aceitar e gostar bastante dessas referências. Provavelmente é um público mais seleto, que também curte literatura e cinema, e consegue sacar as jogadas do artista. Se ele continuar assim, dificilmente cairá nas mesmices de artistas como Britney Spears, que se encaixaria na primeira categoria de Machado, a de fazer clipes somente para vender discos.

Videoclipe:

http://www.youtube.com/watch?v=iF_w7oaBHNo

Por Gian Luca

27/03/2011

Quando o estereótipo funciona


Deixa eu dividir essa história com vocês: Estava eu hoje no MAES (Museu de Arte de Espírito Santo) vendo uma exposição, quando descubro que um filme do meu chará Jean-Luc Godard estava prestes a ser rodado junto com um bate papo com um crítico cinematográfico. Até aí tudo beleza. Fiquei hiper feliz e fui sentar na salinha onde o filme iria ser exibido. Muitas pessoas já estavam lá e outras foram chegando, no geral, mulheres comuns sozinhas ou acompanhadas por amigos gays e senhores e senhoras com aquele ar intelectual e de interesse irrepreensível. No meio desse público já esperado aparece, para minha surpresa, um casal (homem e mulher) lindíssimo. A mulher era gostosa e usava uma roupa curta (mas não vulgar) e o homem era loiro e também bem gostoso (mas não bombado), enfim, realmente um belo casal. Então eu olho e me pergunto: Mas que diabos esse casal está fazendo em um museu às três e meia da tarde num sábado? Até mesmo o crítico que estava lá fez aquela piadinha irresistível de perguntar para a audiência da província o porque dela não estar curtindo uma praia naquela hora.

Quando o filme começa (após uma deliciosa introdução feita pelo crítico mineiro), tento deixar a minha perplexidade de lado. Eu já começava a ter esperança que a teoria (acho que de Darwin) de que pessoas bonitas (que se 'destacam') são burras e pessoas feias (ou 'comuns') são inteligentes não passava de uma baboseira quando o casal, visivelmente supreso e entediado, sai aos 15 minutos (mais ou menos) da projeção. E não volta mais.

Não foi dessa vez que os representantes da beleza provaram que podem sair do estereótipo. Pena.

Só por curiosidade: O filme do Godard se chama 'Um Mulher é uma Mulher'. Brilhante exemplar do movimento da Nouvelle Vague, com Anna Karina e Jean Paul Belmond.


24/02/2011

Quer comer uma torta?







And in the streets: the children screamed,

The lovers cried, and the poets dreamed.
But not a word was spoken;
The church bells all were broken.
And the three men I admire most:
The father, son, and the holy ghost,
They caught the last train for the coast
The day the music died.













I saw satan laughing with delight
delight

The day the music died.



09/01/2011

Crítica Vencedora do Concurso Vitória Cine Vídeo - Um Animal Menor

O curta Um Animal Menor, de Pedro Harres e Marcos Contreras, é um extraordinário conto de terror e suspense psicológico, que leva o expectador a mais completa amargura, em um processo de subversão de valores a partir de um contexto claustrofóbico e quase insano.

Uma mulher acorda e descobre estar presa em um poço. Quando grita por ajuda, um garoto de não mais que 10 anos, que se diz chamar José, aparece e se mantém como único contato da vítima durante os vinte minutos angustiantes da projeção. Isso porque José, nas suas indas e vindas em busca de ajuda, acaba sempre aparecendo sozinho e dizendo que a ajuda já está a caminho, porém fica claro que ele não busca ajuda alguma, levando a mulher quase à loucura. José a alimenta e fornece remédios, e enquanto a prisioneira tenta convencê-lo de ir buscar alguém, a criança se transforma, aos poucos e bizarramente, em um pequeno vilão. As motivações de José para manter a mulher no poço são reveladas aos poucos, mas nunca totalmente, a partir de frases sutis pronunciadas por ele, com sua voz suave, calma e perturbamente infantil.

O roteiro é brilhante em nunca explicitar o que realmente leva José a esse ato de maldade. O espectador apenas tem algumas idéias das motivações do garoto a partir de frases como 'eu só te ajudo se você disser que me ama', 'diz que me ama', e pelo rebate desesperador da mulher ao dizer 'você está aqui só porque ninguém te quer, 'eu te odeio José'. Estaria ela encarando um garoto em busca de amor maternal, de um amigo? Ou o menino seria apenas uma criança doente, talvez mesmo devido à falta desse amor? As possibilidades ficam em aberto, tanto para o espectador quanto para a própria mulher, que sem querer, se envolve em um problema que não a diz respeito e muito maior do que ela pensa.

A câmera é feliz em manter-se quase que totalmente sob o ponto de vista da mulher. A sensação de encarar o menino de cima torna a situação ainda mais misteriosa, afinal, o que pode aparecer lá de cima? Apenas poucos lances são vistos do ponto de vista do garoto, o que garante um alívio de poucos segundos para o espectador. As atuações são extraordinárias e bastante coerentes com a situação.

Gian Luca



Trailer:




Making Of:



16/11/2010

Algumas novas descobertas musicais: Bessie Smith e Dinah Washington













Nesse momento da minha vida, elas conseguem acalmar meus nervos por alguns minutos. Espero que gostem.

15/10/2010

Exposição Vaga-Lumes!


Fotografias de Ald Junior juntamente com poesias de Gian Le Fou (foto) serão apresentadas dia 23, sábado, no espaço cultural Casa Aberta, Vitória.

A exposição Vaga-Lumes é um trabalho de introspecção humana que mistura poesia e fotografia e que tem como ponto central a melancolia gerada a partir da solidão, solidão essa que não determina a vida de ninguém e nem sela o futuro, mas um sentimento que faz parte de todos. O trabalho é carregado de várias interpretações, através das simbologias imagéticas e poéticas, e que serve como reflexão para as mentes que gostam de pensar a fundo.

O vídeo-teaser já foi postado aqui, mas postarei mais uma vez para quem não viu e também como forma de promover uma visão mais ampla do projeto:





A Casa também contará com uma festa dos anos 80 com a banda Utópicos Urbanos, cover do Barão Vermelho, e com o DJ Fabrício Magnoni.



Não perca!!

19/09/2010

Dois grandes tributos e uma grande animação.



Audrey Hepurn: Entra fácil na lista das cinco maiores atrizes do cinema.




Greta Garbo: Garbo era sempre Garbo, mas seus traços duros como a vida humilham o restante.





Betty Boop laranjinha: Faz até frente ao filme da Disney, não?

01/08/2010

Projeto Vaga-Lumes: Assista, leia e divulgue!







PROJETO VAGA-LUMES


Não procures fora o que só podereis encontrar dentro de ti


Apresentação

"Vaga-Lumes" foi idealizado pelo fotógrafo, músico e prof. universitário Ald Junior e pelo escritor Gian Luca (Le Fou), que também participa como modelo. Até o final do projeto, serão várias sessões fotográficas em um pequeno quarto de hotel, no centro de vitória-ES.

Fotografias de Ald Junior acompanhadas de textos alusivos de Gian Luca e uma indicação de trilha sonora de artistas nacionais e internacionais que também serviu como inspiração do projeto.

O Projeto

O projeto tem como referência a profunda sensação de vazio e isolamento das pessoas, principalmente nos dias atuais. Um longo caminho temos que percorrer para encontrar e irradiar luz. O caminho começa desde sempre. A despeito de sua duração, uns acreditam que o caminho é por si só a validez da vida, outros acreditam que ele nos leva para algo melhor, que seria a grande recompensa por tudo.

O Projeto "Vaga-Lumes" expõe a faceta humana de forma analógica ao vaga-lume, devido à sua fragilidade e emissão de luz. Porém, o projeto não se fecha em limitadas interpretações. "Vaga-Lumes" propõem uma análise e reflexão do ser humano. O fato de simplesmente existirmos, de estarmos, já pode ser um fator determinante que domina nossas escolhas, nossos erros e acertos, enfim, nossas tentativas ao longo do caminho.

Qual o caminho da felicidade? Qual o sentindo da dor e sofrimento? Qual o sentido da felicidade? Perguntas que temos que enfrentar a todo o momento, mas não nos é garantido as respostas. Estaria a felicidade dentro de nós, como a luz está dentro do vaga-lume? Como achar essa luz? Como mantê-la? Como lidar quando ela se apaga? Como trazê-la de volta?

Através desse simbolismo, esperamos atingir o público de uma forma reflexiva e construtiva, assim como os criadores do projeto foram atingidos.


Um dos textos que seguirá junto ao projeto:

Luz se esvai, e volta
Em processo descontínuo
Não-obrigatório
Antítodo

Eu brilho
Não sou deus
O fim
Nunca

Crânio cheio e escuro
De costas, enfim
Iludo-me em grandeza
Amarro foto com fio dental

Fêmea a deixar
O grito herético
Que regurgita e exerce
A paz costumeira

Acima o divino alado
Ponderando
Sobre tudo que não chega
À minha mente - o leite
Sugado algumas vezes
Em silêncio profético
Pelo bebê calvo
Amarelão

Volto
Sempre em frente
Eterno ser da História
Godiva
Usa-se de dentes para
Caracóis e lesmas - uma baba exata -

Cabeçudo - a família
Amarelo sugador de asfalto
Traseiro o céu, arrefece
E travessa estuprada
Arrebata

Tique-taque em sincronia com o espinho

Dúvida
A música
Um mendigo
Educadores.


Gian Luca



Contato:

Ald Junior -- aldjunio@gmail.com
Gian Luca -- gianhp@hotmail.com


Peço a todos meus amigos blogueiros que divulgue o projeto! Seja nos blogs, no orkut, no twitter, no facebook, my space! Para adicionar no orkut:

http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=12370221971808046204

31/07/2010

Tem coisa melhor?




Sério, tem?


Letra de Bacherolette:

Sou uma fonte de sangue
Na forma de uma garota
Você é o pássaro à borda
Hipnotizado pelo redemoinho

Beba-me - faça com que eu me sinta real
Molhe seu bico no fluxo
Estamos jogando o jogo da vida
O amor é um sonho de dois caminhos

Deixe-me agora, retorne à noite
A maré vai lhe guiar
Se você se esquecer do meu nome
Você irá se perder
Como uma baleia assassina
Presa na baía

Eu sou um caminho de cinzas
Queimando sob seus pés
Você é aquele que caminha sobre mim
Eu sou seu único caminho

Sou um sussurro na água
Um segredo para que você ouça
Você é aquele que se distancia
Quando eu aceno você se aproxima

Deixe-me agora, volte à noite
A maré irá lhe guiar
Se você se esquecer do meu nome
Você irá se perder
Como uma baleia assassina presa na baía

Eu sou uma árvore cujos frutos são corações
Um novo a cada um que você colhe
Você é a mão intrusa
E eu, o ramo que você quebra.






29/07/2010

Ache as semelhanças

Madonna - The Girlie Show (1992)






Marlene Dietrich - O Anjo Azul (1930)








Madonna and Lady Di



Madonna e Veronica Lake


Madonna, além de se apoiar na exploração sexual e no mundo homossexual, teve como apoio vários ícones para construir sua imagem e sua música, mas obviamente, sem nunca perder a própria imagem poderosa. As influências foram sempre brilhantes pela sutileza e significado em torno delas.

26/07/2010

Algumas melhores cenas de todos os tempos

Há pouco tempo fiz um post sobre os melhores finais de todos os tempos. Obviamente esses finais também entram no hall das melhores cenas de todos os tempos. Porém, neste post, trago algumas melhores cenas (dentre elas, apenas duas são o final do filme) que marcaram a história da Sétima Arte. Cenas que foram copiadas, recitadas e copiadas mais uma vez, seja em outros filmes, seja em paródias, seja na música etc. Farei um breve resumo do contexto e da cena em si, e porque ela entrou na História.



Blow-Up - Depois Daquele Beijo (1966) - Direção: Michelangelo Antonioni






Antonioni redifiniu o cinema na década de 60. E como ele fez essa façanha? Empregando o silêncio na tela. Silêncio constrangedor e inevitável. O diretor tanto primou pelo silêncio (e porque não, vazio existencial) que compôs a trilogia de Icomunicabilidade (A Aventura, A Noite e O Eclipse), filmes que trazem o silêncio como um vilão nas relações humanas. O cinema de Antonioni se opôs drasticamente ao cinema hollywoodiano. Em Blow-Up, o fotógrafgo Thomas (David Hemmings), aprós presenciar um assassinato através das lentes de sua câmera, vai atrás de ajuda para denunciar o crime. Thomas acaba topando com a apatia dos amigos, que não querem ajudá-lo, não querem se envolver, afinal, quem liga para um simples assassinato? A banalidade das situações atinge o fotógrafo, e a sequência final é uma mistura de desilusão com conformismo, e claro, tudo embalado no mais puro silêncio.



O Iluminado (1980) - Direção: Stanley Kubrick





No auge da sua loucura, Jack (Jack Nicholson) pronuncia uma das frases mais marcantes do cinema, frase essa improvisada pelo ator. O rosto naturalmente aloprado de Nicholson, com seu sorriso macabro e o rosto enfiado na porta é também uma das imagens mais poderosas que o cinema americano já produziu. O filme possui outras dezenas de cenas marcantes, mas esta com certeza é a que mais grudou na mente do espectador e que traz toda a aura da película.



A Noviça Rebelde (1965) - Direção: Robert Wise






Todas as canções do maior musical já feito são marcantes, todas. Porém, Do Re Mi configurou o mito em torno da obra, pelo seu brilhantismo e vivacidade. A coreografia simples, que não destoa dos personagens, as paisagens da belíssima Áustria e o carisma de Julie Andrews são inseparáveis da música em si.



A Doce Vida (1960) - Direção: Frederico Fellini





Assim como Antonioni, Fellini reproduziu o vazio da classe média/alta italiana, a burguesia perdida. Nesta cena, a atriz Sylvia (Anita Ekberg) entra na fonte Trevi e se deixa levar pelo som da água, tudo aos olhos do jornalista Marcello (Marcello Mastroianni). A cena é um misto de tristeza, felicidade, reflexão e glamour. Fica difícil ir à Roma e não querer fazer o mesmo.



Pulp Fiction - Tempo de Violência (1994) - Direção: Quentin Tarantino





A obra-prima de Tarantino marcou a década de 90. Redefiniu a violência (banalizando-a), as referências artísticas, ironia e montagem inovadora, todas grandes marcas de sua filmografia. Na sequência em questão, Mia Wallace (Uma Thurman) e o matador Vincent Vega (John Travolta) dançam descontraídos numa lanchonete cult. O visual de Thurman é um ícone em si mesmo.



Luzes da Cidade (1931) - Direção: Charles Chaplin





Um dos melhores finais de todos os tempos, é imprescindível de entrar nessa lista. A sequência prima pela leveza, timing perfeito e o mais importante, o rosto de Chaplin se abrindo com um sorriso.



Titanic (1997) - Direção: James Cameron





Doa a quem doer, Titanic marcou a década passada. Muitos amam, muitos odeiam, o fato é que o filme trouxe novas possibilidades de efeitos especiais, apesar da história 'clichê'. A sequência escolhida não é do naufrágio, mas sim do casal Jack (Leo DiCaprio) e Rose (Kate Winslet) na proa do navio. Uma das cenas mais copiadas, Jackie abre os braços da amada e o amor finalmente se dá. A cena é embalada pelos acordes da bela canção de Celine Dion, My Heart Will Go On. Titanic é outra obra repleta de cenas marcantes que foram copiadas e citadas.



Taxi Driver (1976) - Direção: Martin Scorsese





Uma das obras-primas de Scorsese, Taxi Driver mostra a evolução do revoltado taxista Travis Bickle (Robert De Niro) para a insanidade, dentro de uma sociedade detonada. A frase 'Are you taling to me?' é uma das mais famosas e parodiadas de todos os tempos, frase essa que define o espírito masculino e a transformação de Bickle.



Cantando na Chuva (1962) - Direção: Gene Kelly e Stanley Donen





Considerado pela crítica especializada o melhor musical já feito (para mim, só perde mesmo para A Noviça Rebelde), Cantando Chuva é outra obra que possui todas as canções como um marco. Entretanto, Gene Kelly dançando e cantando na chuva a música-tema é o clássico dos clássicos. O genial Kelly pegou até uma pneumonia depois da filmagem, mas valeu a pena, não?



Moulin Rouge (2001) - Direção: Baz Lurhman





Moulin Rouge reascendeu o gênero musical, que estava praticamente morto desde a década de 70. Lurhman misturou perfeitamente conteúdo pop, números clássicos e também uma clássica história de amor num turbilhão de cores e psicodelia. A sequência escolhida é provavelmente o medley mais romântico já feito, com uma Nicole Kidman e um Ewan McGregor inspiradíssimos. Infelizmente, esse gênero parece estar perdendo a vida outra vez.



Amor, Sublime Amor (1961) - Direção: Robert Wise e Jerome Robbins





A sequência de abertura de Amor, Sublime Amor é extraordinária. Após uma ousada passagem de cores sensacionais, o filme nos entrega uma coreografia contagiante nas ruas de Nova York, toda composta por homens e cores em continuidade com a sequência anterior. O filme é uma releitura de Romeu e Julieta, brilhante.



Psicose (1960) - Direção: Alfred Hicthcock





Vários filmes de Hitchock possuem cenas marcantes, que ficaram no imaginário popular. Só que a cena do chuveiro é obviamente a mais lembrada, copiada em diversos contextos. A cena representa o cunho violento que permeou todo o trabalho o diretor.



O Poderoso Chefão (1972) - Direção: Francis Ford Coppola.





O filme que ameaça tirar Cidadão Kane do posto de 'Melhor Filme de Todos os Tempos' (já está em segundo lugar na lista de AFI), tem um início poderoso. O chefão Vito Corleone (Marlon Brando) em seu escritório atende o pedido de um apadrinhado enquanto a festa de casamento de sua filha rola lá fora. A atuação de Brando, a fotografia e a trilha sonora compõe com perfeição a cena que abriga todas as características de um dos maiores filmes americanos já realizados.


O Exorcista (1973) - Direção: William Friedkin





Apesar de não assustar tanto quanto na época que fora realizado, O Exorcista ainda choca pelas cenas pesadas e pelo tema controverso. Várias lendas cercam a obra e ele ainda se mantém com um dos melhores filmes de terror de todos os tempos, sem dúvida. É outra obra-prima também recheado de cenas marcantes.


Mary Poppins (1964) - Direção: Robert Stevenson





A obra-prima musical da Disney, que mistura animação com pessoas, marcou a infância de muita gente (inclusive a minha). Tendo a babá mais famosa do mundo (Julie Andrews ganhou o Oscar de Melhor Atriz, em seu primeiro trabalho nas telonas), Mary Poppins é divertido, emocionante e com músicas contagiantes. A sequência escolhida possui a música mais ícônica e lembrada.


Um Estranho no Ninho (1975) - Direção: Milos Forman





Jack Nicholson e Louise Fletcher nos papéis de suas vidas. Nicholson como o 'anárquico' Randle Patrick McMurphy e Flecther como a maior vilã americana, na pele da enfermeira Mildred Racthed, compõe os polos da sanidade e da loucura, nesse caso, confudidos pelas atitudes dos personagens. Quem é o maluco e quem é o são, afinal? A obra ainda prima pelo equilíbrio do drama e da comédia. E claro, por várias cenas-chave.

20/07/2010

A grande estrela




Ela, a grande Betty Boop. Personagem de mais de 100 animações na década de 30, ficou marcada pelo seu porte sensual, roupas curtas e mulher independente. Em 1934, o Código de Produção censurou a personagem, Boop então teve que passar a usar mais roupas, mas os desenhistas mantiveram sua sensualidade.


Aqui se seguem duas animações de Betty Boop, a primeira, provavelmente o desenho mais bizarro que você verá: Boop vende um remédio que cura as pessoas de uma forma bem inusitada. Já a segunda foi censurada por conter 'uso de drogas', que nada mais é que um tipo de gás hilariante, enfim, foram os conturbados anos 30 e sua censura.








Além de sensualidade, os desenhos de Betty Boop exalam criatividade (pouco vista hoje, salvo algumas exceções, como os Simpsons) e doçura. Boop era a Marilyn Monroe da animação, roubava a cena com facilidade.

Um dos cartoons mais famosos de Boop: