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30/09/2013

O Projeto Secreto de Madonna


As impressões que eu tive após ver o Secret Project foram muitas. Vou tentar resumir algumas delas.

Madonna está realmente engajada outra vez, mas agora ela elevou seu engajamento social a um nível mundial, numa espécie de 'evolução' da era American Life. Naquela época, Madonna se preocupava especialmente com o que estava acontecendo nos EUA, agora os seus trabalhos (tanto a turnê quanto quando o projeto) são reflexos dos acontecimentos mais graves que estão acontecendo no planeta. É de se admirar a fluidez e o impacto do curta-metragem. O texto recitado por ela é claro e sem pieguices, embalados por uma voz quase rouca e aparentemente serena de quem sabe o que está falando e sabe o que quer. As imagens também fluem, com uma boa edição, bela fotografia e com uma trilha sonora tímida, bonita e inquietante (o hino nacional e a melodia usada em Like a Virgin na MDNA foram opções acertadíssimas, além de trechos de discursos políticos, áudios da turnê, sons de violência, pássaros e outros a serem percebidos). Eu também destaco a sequência de balé e o ambiente decadente em que ela passeia com suas 'vítimas'. O uso de apetrechos e figurinos da turnê também se destaca, é um jeito de Madonna mostrar o quanto se preocupa em ser coerente com suas escolhas artísticas e de dar certa continuação aos seus trabalhos. É um trabalho para ser assistido várias vezes e assim perceber detalhes perdidos.

"Liberdade é aquilo que você faz com o que fizeram com você."

 Quem mais se identifica com essa frase do Sartre?

 
 
Veja abaixo o vídeo completo do projeto com legendas:



20/02/2013

Neste Mundo e no Outro (1946)

Neste Mundo e no Outro (A Matter of Life and Death) é uma das obras-primas dos diretores Powell e Pressburger (Narciso Negro e Sapatinhos Vermelhos, duas outras obras-primas da dupla). Poucos diretores foram capazes de narrar uma história de amor com tanta vivacidade e emoção. E poucos foram aqueles que utilizaram a tecnologia Technicolor para criar verdadeiras pinturas cinematográficas. A película trata do poder do amor sobre a morte, tema tantas vezes copiado por outros diretores e roteiristas, mas nunca igualado. Powell e Pressburger tinham uma maneira muito peculiar de contar suas histórias, colocando a emoção à flor da pele de suas personagens sempre em primeiro lugar. O conflito humano é o que interessa. Mas quem disse esse conflito não pode ser belo e trágico ao mesmo tempo? As cores, os closes, os planos e os cenários suntuosos convergem para ampliar o poder do drama do indivíduo comum aos nossos olhos, para que o espectador se identifique com a narrativa, afinal, aquele drama é o nosso drama. A beleza mostrada pela dupla é a beleza da vida. E isso vale para o trágico também. Hoje poucos fazem isso. Então voltemos para os idos 1946 e celebremos o que há de melhor no cinema clássico, sempre esquecido e sempre lembrado. 



Clique aqui para conferir a crítica do site Análise Indiscreta.











O filme completo está disponível no Youtube (sem legendas):






25/11/2012

The Cheat (1915)


The Cheat (ou Enganar e Perdoar), dirigido por Cecil B. DeMille, é um dos filmes mais marcantes da era muda de Hollywood. DeMille, mais famoso por seus grandes épicos como Os Dez Mandamentos, conduz com maestria essa história de vingança e traição protagonizada por Fannie Ward (conhecida na época por sua eterna juventude, já que parecia nunca envelhecer), e pelo grande ator japonês Sessue Hayakawa, que décadas depois ficaria marcado por seu papel de general durão em A Ponte do Rio Kwai. Hayakawa se destaca por ir contra a maré no estilo de atuação que consagrou o cinema mudo mundial (principalmente o alemão e o americano), mantendo um desempenho contido e sem os ‘exageros’ típicos (mas necessários) da época. O ator consegue se expressar com gestos simples e com o olhar marcante. Entretanto, Ward também brilha com sua delicadeza e desespero que vai se agravando no desenrolar da época. 





Sobre a estrutura da película, DeMille faz o melhor uso do efeito das sombras e do efeito claro/escuro para contar a sua história (destaque para a cena clássica em que apenas as sombras de duas personagens são mostradas, para realçar o efeito do suspense), além de abusar da liberdade que Hollywood possuía antes do código de censura. A cena em que a personagem de Ward é marcada por um ferro em brasas, como um boi, com certeza traria problemas dentro de uma Hollywood censurada anos depois. O efeito da cena é bombástico, digno de um grande cineasta que fez história nas duas fases do cinema, mas que talvez tenha sido mais feliz na primeira. Mostrar uma relação interracial naquela época era para poucos (a única concessão do diretor foi mudar a nacionalidade do personagem de Sessue, de japonês para birmanês, já que não cairia bem um país aliado dos EUA na Primeira Guerra Mundial ser mostrado como ‘inimigo’). 



Outros grandes trabalhos que podem ser destacados dessa época é Carmen (1915), protagonizado pela cantora de ópera Geraldine Farrar e o arrasador de corações Wallace Reid, e Perseverança (1917), com Mary Pickford. De Mille foi, sem dúvida, um grande diretor, contador de histórias e estilista cinematográfico.




 O filme completo no Youtube (sem legendas):




30/03/2011

Um sonho

Tradução feita por mim de um poema de Ted Hughes chamado 'A Dream', da coletânea de poemas escritos sobre o seu conturbado casamento com a poeta Sylvia Plath, que se suicidou aos 30 anos. O livro se chama 'Birthday Letters', publicado em 1998.


Um sonho

O seu pior pesadelo

Virou realidade: aquele chamado na porta –

Não foi apenas o acaso

Mas um meteorito, que caiu direto na nossa casa,

O nosso nome estava nele.


Não eram sonhos, eu disse, mas estrelas fixas

Que governam uma vida. O corpo inteiro com sede,

Inexorável, como um sonâmbulo puxando

Ar para os pulmões. Você teve que levantar

Um dedo da tampa do caixão.

No meu sonho ou no seu? Caixa de correio esquisita.

Você tirou um envelope. Era uma

Carta do seu Papai. ‘Estou em casa.

Eu posso ficar com você?’ Eu nada disse.

Para mim, um pedido é um comando.


Então foi a vez da Catedral.

Chartres. De alguma forma nós acabamos em Chartres.

Não era a sua primeira vez.

Eu não me lembro de muita coisa a não ser

Daquele jarro. Você o encheu

Com tudo o que a gente tinha. Cada centavo.

Você disse que era para a sua mãe.

Você tirou todo o nosso oxigênio

E colocou naquele jarro. Chartres

(Eu me lembrei disso)

Pendia sobre o seu rosto, uma mantilha,

Escurecida, rendilha de carvão –

Como se fosse pós-tempestade. Como uma enfermeira

Você cuidou do que restou do seu Papai.

Tirando nossas vidas daquele jarro

E colocando na xícara de café dele. Depois você o quebrou

Em cacos, estrelas brutas,

E deu para a sua mãe.


‘E quanto a você, ’ você me disse, ‘peço permissão

Para lembrar esse sonho. E pensar nele.’


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A Dream

Your worst dream

Came true: that ring on the door-bell –

Not a simple chance in a billion

But a meteorite, straight down our chimney,

With our name on it.


Not dreams, I had said, but fixed stars

Govern a life. A thirst of the whole being,

Inexorable, like a sleeper drawing

Air into the lungs. You had to lift

The coffin lid an inch.

In your dream or mine? Strange letter box.

You took out the envelope. It was

A letter from your Daddy. ‘I’m home.

Can I stay with you? I said nothing

For me, a request was a command.


Then came the Cathedral.

Chartres. Somehow we had got to Chartres.

Not the first time for you.

I remember little

But a Breton jug. You filled it

With everything we had. Every last franc.

You said it was for your mother.

Your emptied our oxygen

Into that jug. Chartres

(I salvaged this)

Hung about your face, a mantilla,

Blackened, a tracery of char –

As after a firestorm. Nun-like

You nursed what was a left of your Daddy.

Pouring our lives out of that jug

Into this morning coffee. Then you smashed it

Into shards, crude stars,

And gave them to your mother.


‘And for you,’ you said to me, ‘permission

To remember this dream. And think about it.’


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O livro trata basicamente de várias situações sofridas pelo casal durante o tempo que estavam juntos. Hughes foi muito criticado pela sua conduta com Sylvia, principalmente por causa de sua traição quando eles ainda estavam juntos. Os extremistas alegam que esse foi o fator principal do suicído de Plath, o que não passa de uma afirmação absurda, considerando todo o histórico de depressão de Plath (alegam que sua primeira tentativa de suicídio foi aos 10 anos, seguida por uma aos 20, quando ela nem conhecia Hughes). Mais que um livro que tenta 'retratar' as falhas do poeta (nesse quesito ele não é muito bem sucedido, para o terror das feministas), a coletânea mostra o quão Ted Hughes era talentoso em suas construções detalhistas dos eventos na vida dos dois e as impressões deixadas por elas. Muitas das técnicas usadas nesses textos são frutos da sua habilidade em criar impressões aterradoras na chamada 'Animal Poetry' (Poesia Animal), a fase de seu trabalho mais conhecida.





Hughes, Plath e os filhos.

26/07/2010

Algumas melhores cenas de todos os tempos

Há pouco tempo fiz um post sobre os melhores finais de todos os tempos. Obviamente esses finais também entram no hall das melhores cenas de todos os tempos. Porém, neste post, trago algumas melhores cenas (dentre elas, apenas duas são o final do filme) que marcaram a história da Sétima Arte. Cenas que foram copiadas, recitadas e copiadas mais uma vez, seja em outros filmes, seja em paródias, seja na música etc. Farei um breve resumo do contexto e da cena em si, e porque ela entrou na História.



Blow-Up - Depois Daquele Beijo (1966) - Direção: Michelangelo Antonioni






Antonioni redifiniu o cinema na década de 60. E como ele fez essa façanha? Empregando o silêncio na tela. Silêncio constrangedor e inevitável. O diretor tanto primou pelo silêncio (e porque não, vazio existencial) que compôs a trilogia de Icomunicabilidade (A Aventura, A Noite e O Eclipse), filmes que trazem o silêncio como um vilão nas relações humanas. O cinema de Antonioni se opôs drasticamente ao cinema hollywoodiano. Em Blow-Up, o fotógrafgo Thomas (David Hemmings), aprós presenciar um assassinato através das lentes de sua câmera, vai atrás de ajuda para denunciar o crime. Thomas acaba topando com a apatia dos amigos, que não querem ajudá-lo, não querem se envolver, afinal, quem liga para um simples assassinato? A banalidade das situações atinge o fotógrafo, e a sequência final é uma mistura de desilusão com conformismo, e claro, tudo embalado no mais puro silêncio.



O Iluminado (1980) - Direção: Stanley Kubrick





No auge da sua loucura, Jack (Jack Nicholson) pronuncia uma das frases mais marcantes do cinema, frase essa improvisada pelo ator. O rosto naturalmente aloprado de Nicholson, com seu sorriso macabro e o rosto enfiado na porta é também uma das imagens mais poderosas que o cinema americano já produziu. O filme possui outras dezenas de cenas marcantes, mas esta com certeza é a que mais grudou na mente do espectador e que traz toda a aura da película.



A Noviça Rebelde (1965) - Direção: Robert Wise






Todas as canções do maior musical já feito são marcantes, todas. Porém, Do Re Mi configurou o mito em torno da obra, pelo seu brilhantismo e vivacidade. A coreografia simples, que não destoa dos personagens, as paisagens da belíssima Áustria e o carisma de Julie Andrews são inseparáveis da música em si.



A Doce Vida (1960) - Direção: Frederico Fellini





Assim como Antonioni, Fellini reproduziu o vazio da classe média/alta italiana, a burguesia perdida. Nesta cena, a atriz Sylvia (Anita Ekberg) entra na fonte Trevi e se deixa levar pelo som da água, tudo aos olhos do jornalista Marcello (Marcello Mastroianni). A cena é um misto de tristeza, felicidade, reflexão e glamour. Fica difícil ir à Roma e não querer fazer o mesmo.



Pulp Fiction - Tempo de Violência (1994) - Direção: Quentin Tarantino





A obra-prima de Tarantino marcou a década de 90. Redefiniu a violência (banalizando-a), as referências artísticas, ironia e montagem inovadora, todas grandes marcas de sua filmografia. Na sequência em questão, Mia Wallace (Uma Thurman) e o matador Vincent Vega (John Travolta) dançam descontraídos numa lanchonete cult. O visual de Thurman é um ícone em si mesmo.



Luzes da Cidade (1931) - Direção: Charles Chaplin





Um dos melhores finais de todos os tempos, é imprescindível de entrar nessa lista. A sequência prima pela leveza, timing perfeito e o mais importante, o rosto de Chaplin se abrindo com um sorriso.



Titanic (1997) - Direção: James Cameron





Doa a quem doer, Titanic marcou a década passada. Muitos amam, muitos odeiam, o fato é que o filme trouxe novas possibilidades de efeitos especiais, apesar da história 'clichê'. A sequência escolhida não é do naufrágio, mas sim do casal Jack (Leo DiCaprio) e Rose (Kate Winslet) na proa do navio. Uma das cenas mais copiadas, Jackie abre os braços da amada e o amor finalmente se dá. A cena é embalada pelos acordes da bela canção de Celine Dion, My Heart Will Go On. Titanic é outra obra repleta de cenas marcantes que foram copiadas e citadas.



Taxi Driver (1976) - Direção: Martin Scorsese





Uma das obras-primas de Scorsese, Taxi Driver mostra a evolução do revoltado taxista Travis Bickle (Robert De Niro) para a insanidade, dentro de uma sociedade detonada. A frase 'Are you taling to me?' é uma das mais famosas e parodiadas de todos os tempos, frase essa que define o espírito masculino e a transformação de Bickle.



Cantando na Chuva (1962) - Direção: Gene Kelly e Stanley Donen





Considerado pela crítica especializada o melhor musical já feito (para mim, só perde mesmo para A Noviça Rebelde), Cantando Chuva é outra obra que possui todas as canções como um marco. Entretanto, Gene Kelly dançando e cantando na chuva a música-tema é o clássico dos clássicos. O genial Kelly pegou até uma pneumonia depois da filmagem, mas valeu a pena, não?



Moulin Rouge (2001) - Direção: Baz Lurhman





Moulin Rouge reascendeu o gênero musical, que estava praticamente morto desde a década de 70. Lurhman misturou perfeitamente conteúdo pop, números clássicos e também uma clássica história de amor num turbilhão de cores e psicodelia. A sequência escolhida é provavelmente o medley mais romântico já feito, com uma Nicole Kidman e um Ewan McGregor inspiradíssimos. Infelizmente, esse gênero parece estar perdendo a vida outra vez.



Amor, Sublime Amor (1961) - Direção: Robert Wise e Jerome Robbins





A sequência de abertura de Amor, Sublime Amor é extraordinária. Após uma ousada passagem de cores sensacionais, o filme nos entrega uma coreografia contagiante nas ruas de Nova York, toda composta por homens e cores em continuidade com a sequência anterior. O filme é uma releitura de Romeu e Julieta, brilhante.



Psicose (1960) - Direção: Alfred Hicthcock





Vários filmes de Hitchock possuem cenas marcantes, que ficaram no imaginário popular. Só que a cena do chuveiro é obviamente a mais lembrada, copiada em diversos contextos. A cena representa o cunho violento que permeou todo o trabalho o diretor.



O Poderoso Chefão (1972) - Direção: Francis Ford Coppola.





O filme que ameaça tirar Cidadão Kane do posto de 'Melhor Filme de Todos os Tempos' (já está em segundo lugar na lista de AFI), tem um início poderoso. O chefão Vito Corleone (Marlon Brando) em seu escritório atende o pedido de um apadrinhado enquanto a festa de casamento de sua filha rola lá fora. A atuação de Brando, a fotografia e a trilha sonora compõe com perfeição a cena que abriga todas as características de um dos maiores filmes americanos já realizados.


O Exorcista (1973) - Direção: William Friedkin





Apesar de não assustar tanto quanto na época que fora realizado, O Exorcista ainda choca pelas cenas pesadas e pelo tema controverso. Várias lendas cercam a obra e ele ainda se mantém com um dos melhores filmes de terror de todos os tempos, sem dúvida. É outra obra-prima também recheado de cenas marcantes.


Mary Poppins (1964) - Direção: Robert Stevenson





A obra-prima musical da Disney, que mistura animação com pessoas, marcou a infância de muita gente (inclusive a minha). Tendo a babá mais famosa do mundo (Julie Andrews ganhou o Oscar de Melhor Atriz, em seu primeiro trabalho nas telonas), Mary Poppins é divertido, emocionante e com músicas contagiantes. A sequência escolhida possui a música mais ícônica e lembrada.


Um Estranho no Ninho (1975) - Direção: Milos Forman





Jack Nicholson e Louise Fletcher nos papéis de suas vidas. Nicholson como o 'anárquico' Randle Patrick McMurphy e Flecther como a maior vilã americana, na pele da enfermeira Mildred Racthed, compõe os polos da sanidade e da loucura, nesse caso, confudidos pelas atitudes dos personagens. Quem é o maluco e quem é o são, afinal? A obra ainda prima pelo equilíbrio do drama e da comédia. E claro, por várias cenas-chave.